O Rio Branco
A
antiga denominação do Estado de Roraima, era Território
Federal de Roraima ou, mais antigo ainda, Território Federal
do Rio Branco. O principal e mais importante curso d’água
de Roraima é o rio Branco. Por ele chegaram os primeiros
colonizadores portugueses.
O
vale do rio Branco sempre foi muito cobiçado por ingleses
e holandeses, que aqui estiveram, através da Guiana, em busca
de índios. Os espanhóis pelo território da
atual Venezuela chegaram a invadir o norte do rio Branco, mais precisamente
o rio Uraricoera. Coube aos portugueses derrotar e expulsar a todos
esses invasores e estabelecer a soberania de Portugal e depois do
Brasil nesta região.
A
construção do Forte São Joaquim na confluência
dos rios Uraricoera e Tacutu, em 1775, foi um marco decisivo na
conquista do rio Branco para os domínios portugueses. Apesar
do descobrimento do Brasil ter ocorrido em 1500, o que é
hoje o Estado de Roraima só foi descoberto 200 anos depois
e conquistado mais tarde ainda. A presença permanente do
colonizador Português só ocorreu, de fato, após
a construção do Forte São Joaquim.
Os
primeiros colonizadores a chegar ao rio Branco foram: Capitão
Francisco Ferreira e o Padre carmelita Jerônimo Coelho. Estes
vieram com o propósito de aprisionar índios e recolher
ovos de tartaruga para fazer manteiga. Depois deles, vieram Lourenço
Belfort e Cristóvão Aires Botelho, que foram os primeiros
a ultrapassar a cachoeira do Bem-Querer. Outro que subiu o rio Branco,
foi José Miguel Aires também com o objetivo de aprisionar
índios para vendê-los com escravos em Belém
e São Luiz do Maranhão.
Nicolau
Horstman foi um holandês que partiu de Paramaribo, capital
da colônia holandesa na América do Sul, atingiu o rio
Negro e depois o rio Branco em 1741 para fomentar o comércio
de escravos índios pelos rios Tacutu e Jauaperí até
àquela colônia. Os espanhóis, vindos do rio
Orinoco entre 1771 e 1773, invadiram o rio Uraricoera, atravessando
a cordilheira de Pacaraima, o que parecia impossível para
os portugueses na época. Fundaram três povoações:
Santa Rosa, Santa Bárbara e São João Bautista
de Cada Cada. Foram, no entanto expulsos pelos portugueses.
A
decisão para construir o Forte de São Joaquim, hoje
praticamente destruído, foi tomada para que a partir do Forte,
os portugueses pudessem enfrentar a cobiça internacional
e assegurar a soberania de Portugal sobre as terras do vale do rio
Branco. Após a inauguração do Forte, os portugueses
partiram para a criação de povoados reunido os próprios
índios da região. Foram criados: Nossa Senhora da
Conceição e Santo Antônio (no rio Uraricoera),
São Felipe (no rio Tacutu) e Nossa Senhora do Carmo e Santa
Bárbara (no rio Branco).
Acostumados
à liberdade, os índios não se sujeitaram às
condições impostas pelos portugueses aos povoados.
Anos depois, 1789, o comandante Manoel da Gama Lobo D’almada,
para garantir a presença do homem, dito civilizado, nos campos
naturais do Rio Branco (lavrado), que eram considerados excelentes
para a criação de gado, partiu para a implatação
da fazenda São Bento, no Uraricoera, depois aa fazenda de
São José, no Tacutu e, por fim, na fazenda São
Marcos, em 1799, esta fazenda ainda hoje existe, pertence aos índios
e está localizada em frente ao local onde existia o Forte
São Joaquim.
O
gado era criado nos campos sem nenhum controle. Havia muita desorganização
e com isso os animais se espalharam por todos os lugares. Servindo,
inclusive, para que houvesse o aprisionamento de parte desses animais
por particulares para a formação de outras fazendas.
Serviu, também, para possibilitar aos índios, uma
nova ocupação: a de vaqueiros. Os índios macuxi
são reconhecidos, na região como excelentes vaqueiros.
Em
1808, com a chegada da família real portuguesa ao Brasil,
a região ficou abandonada e sentiu muito. Enquanto o Rio
de Janeiro crescia com a chegada da família real, a criação
da Casa da Moeda, da Academia real de Belas Artes, a Biblioteca
Nacional, o Teatro Real e a Escola de Medicina do Rio e de Salvador,
o Forte São Joaquim era esquecido.
Quem
mais atentou contra a soberania portuguesa na região e quem
deu mais trabalho aos soldados do forte São Joaquim foram
os ingleses. Entre 1810 e 1811, militares ingleses penetraram em
território luso brasileiro. Foram no entanto recebidos com
cordialidade pelo comando do forte mas impedidos de prosseguirem
com o seu trabalho de penetração.
Um
alemão de nome Robert Sechomburgk. Trabalhando para a Inglaterra
foi o o estrangeiro que mais prejuízos deu ao Brasil. Este
alemão, em 1835, a título de fazer um levantamento
da geografia física do interior a Guiana , chegou até
o forte São Joaquim, portanto no centro do Vale do Rio Branco.
Ali foi recebido com cortesia, sem que os portugueses desconfiassem
de sua ação naquele lugar. Sechomburgk regressou a
Londres, mas em 1837, voltou à Guiana e continuou seus estudos
geográficos. Em seus relatórios à Londres Sechomburgk,
mandava dizer que a soberania lusitana na região era fraca,
precária, quase inexistente. Sugeriu, inclusive, que Inglaterra
deveria ocupar esses espaços “vazios” mandando
demarcá-los para os domínios de sua majestade inglesa
e até de ocupá-los em caráter permanente.
Esses
relatórios causaram um impacto positivo na corte inglesa.
A opinião pública britânica apoiou e assim o
missionário inglês, protestante, Thomas Youd, foi mandado
para a região. Este instalou-se na região do Pirara
e passou a catequizar os índios para a religião e
para o domínio inglês. A bandeira inglesa passou a
ser hasteada em território brasileiro. Yound ensinou o idioma
inglês aos índios. Foi necessário que o Comandante
do Forte Capitão Ambrósio Aires e o Frei José
dos Santos Inocentes, cumprindo ordens do Presidente da Província
do Pará, General Soares de Andréia, fossem até
a presença do audacioso missionário e o intimidasse
a deixar o território onde estava instalado, pois ali era
território brasileiro. Youd deixou a região mais levou
consigo os índios já catequizados.
No
entanto, Robert Schomburgk, em 1840, como resultado dos seus estudos
geográficos, desenhou uma carta (mapa) e a remeteu a Londres.
Nesta carta ele mostrava que a região do Tacutu, do Maú
até do Surumu era ocupada por tribos independentes “.
Baseado nessa sua conclusão, Schomburgk indicou a Londres
uma nova fronteira entre as terras brasileiras e as terras da colônia
inglesa na América do Sul. Esta nova fronteira tinha como
limites o rio Cotingo e o rio Surumu.Por sua vez o Brasil, que tinha
proclamado sua independência de Portugal há poucos
anos, tinha como sua fronteira com a Guiana, o divisor de águas
do rio Tacutu com o Essequibo, ou seja o rio Tacutu o seus afluentes
da margem direita. E assim considerava porque a doutrina na época
era de que quem dominava um rio, era o dono de toda a sua bacia
em toda a extensão. E o rio Tacutu com seus afluentes é
um formador do rio Branco, conquistando e dominado pelos portugueses
a partir do rio Negro. Não havia dúvida quanto a isto
a não ser nos relatos mentirosos do alemão Robert
Schmburgk à Londres. O Forte São Joaquim era o mais
importante testemunho deste domínio português, uma
vez que estava erguido na margem esquerda do próprio rio
Tacutu.
A
opinião pública inglesa, impressionada pelos relatos
de Schomburgk, passou a exigir que o governo inglês acatasse
as sugestões do alemão e passasse a demarcar a região
pelos rios Contingo e Surumu. Definindo, assim, a nova fronteira
entre o Brasil e a Guiana. Devido ao descaso da família real
com o norte brasileiro e apesar da existência do Forte, a
presença brasileira na fronteira era fraca. E até
a independência do Brasil (1822) contribuiu para essa fragilidade
de ocupação. Mesmo assim, o governo do Pará,
a quem a região estava subordinada administrativamente, protestou
em Belém perante o cônsul inglês e o governo
do Brasil protestou em Londres através do Embaixador brasileiro.
Diante dos protestos, o governo britânico, que já havia
iniciado a demarcação da área, mandou retirar
os marcos: divisórios já colocados no rio Cotingo
e no Surumu, mas não desistiu de conquistar a região.
O
governo brasileiro titubeou ao encaminhar, em 1842, uma recomendação
ao governo britânico, sugerindo a neutralização
da área do Rupunini, objetivo da disputa entre o Brasil e
a Inglaterra. A Inglaterra, de imediato concordou com a neutralização
mas não recuou dos seus direitos. Assim o governo inglês
só aceitou esta neutralização incluindo a região
do Cotingo e do Mau. A disputa diplomática entre o Brasil
e a Inglaterra pela área do Tacutu incluindo o Rupunini,
o Cotingo e o Mau se estendeu até 1898 quando o Brasil acatou
a proposta inglesa de submeter a questão ao governo da Itália
que atuaria como árbitro.
O
governo brasileiro indicou Joaquim Nabuco, grande jurista pernambucano
para acompanhar o julgamento que seria feito pelo Rei Vitório
Emanuel III, da Itália, defendendo as propostas brasileiras.
Nabuco dedicou-se com afinco à causa, estudando-a e mostrando
com bons argumentos a supremacia brasileira na região. Sua
obra, sobre o rio Branco e seus formadores e afluentes e especialmente
sobre esta questão da fronteira entre Brasil e Inglaterra
é muito grande e profunda. São 18 volumes que impressionam
quanto ao conteúdo e quanto aos argumentos.
Mas,
apesar dos esforços da diplomacia brasileira através
de Joaquim Nabuco, do Barão do Rio Branco e do governo do
Pará através de Antonio Ladislau Monteiro Baena, em
1904. Sua Majestade o Reio Dom Vitório Emanuel III, da Itália,
deu a palavra final, retirando 19.630km2 do território brasileiro,
pertencente ao Estado de Roraima, e entregou-os à Inglaterra
(Guiana),definindo, assim os limites entre o Brasil e aquele país
pelos rios Tacutu e Mau. É certo, também que se não
fossem os argumentos e a defesa de Joaquim Nabuco, teríamos
perdido muito mais terreno e a fronteira seria pelo Cotingo e Surumu.
O Brasil e Roraima, em particular, muito devem a Joaquim Nabuco.
A
colonização do Rio Branco
A
colonização do rio Branco atual Estado de Roraima
pode ser dividida em quatro períodos distintos:
Da
“descoberta” do rio Branco (1750) até o início
do século XIX (1800);
Do
início do século XIX (1800) até a criação
do município de Boa Vista (1890); até a criação
do Território Federal do Rio Branco (depois Roraima e da
criação do Território Federal aos dias atuais.
Da
“descoberta” do rio Branco (1750) ao início do
século XIX
Os
fatos mais importantes que marcam este período da história
de Roraima são:
A
construção do Forte São Joaquim;
A
criação das povoações de N. S. do Carmo
N. S. da Conceição, S. Felipe, Santa Bárbara
e Santa Isabel, que não prosperam devido a revolta dos índios
com os métodos impostos pelos portugueses aos moradores desses
povoados;
A
introdução do gado bovino e eqüino nos campos
gerais (lavrados) de Roraima por Lobo D’Almada.
A
revolta de 1790. Esta foi tão grande e tão violenta
que ficou conhecida como a revolta da praia de sangue, tantos foram
os índios e os soldados mortos que tingiram águas
do rio Branco de sangue.
Do
início do século XIX à criação
do município de Boa Vista
Nesse
período a violência dos colonizadores foi a mais radical
que se tem notícia. A revolta da praia de sangue ajudou a
manter o clima de luta nos anos seguintes;
A
seca de 1877 que assolou o nordeste brasileiro, trouxe para a região
de Roraima os primeiros nordestinos que aqui se fixaram. Estes trataram
de consolidar a criação de gado bovino. Surgindo,
daí, na verdade, os primeiros fazendeiros;
A
decadência definitiva dos povoados criados pelos portugueses
sob a administração do Forte São Joaquim e
a própria decadência deste. Seus comandantes passaram
a ter cada vez menos força a ponto de que o seu último
comandante ter sido um homem austero, íntegro e dedicado
mas que tinha a patente de Cabo e não Capitão ou Major.
Da
criação do município de Boa Vista (1890) à
criação do Território Federal (1943)
Quando
o município de Boa Vista foi criado, sua população
era de um pouco mais de mil pessoas. Os dados de 1887 informam que,
naquele ano, Boa Vista contava com 1 mil habitantes considerados
apenas os brancos e os mamelucos, fora os índios. O Estado
do Amazonas, ao qual pertencia o município de Boa Vista não
tinha recursos para desenvolver o vale do rio Branco como desejava.
Nem o gado que crescia e se desenvolvia nos lavrados de Roraima
e que servia, inclusive, para o abastecimento de Manaus, conseguia
estimular os governantes amazonenses. O município foi criado
no governo de Augusto Ximeno de Villeroy que entendeu ser a criação
do município um ato importante para o desenvolvimento da
região.
Outro
governador amazonense que voltou suas atenções para
o vale do rio Branco, foi Eduardo Ribeiro, que contratou o cidadão
Sebastião Diniz para abrir uma picada de Manaus a Boa Vista
para que, por ela, fosse construída uma estrada ligando a
capital do Amazonas aos campos gerais do rio Branco, que pudesse
servir para o transporte do gado da região para o matadouro
de Manaus.
Da
criação do Território Federal aos nossos dias
Com
a criação do Território Federal, em 1943 esta
região passou a ter um tratamento melhor, uma vez que seus
problemas passaram ao domínio do Governo Federal. O centro
das decisões sobre o rio Branco deixou de ser o Palácio
Rio Negro, em Manaus para ser o Palácio do Catete no Rio
de Janeiro (até a inauguração de Brasília
em 1960) e depois o Palácio do Planalto em Brasília.
Na estrutura de governo idealizada para o Território Federal
foi instituída a Divisão de Produção,
Terras e Colonização – DPTC. Esta tinha como
objetivos: realizar pesquisas e levantamentos sobre os recursos
naturais do Território, cadastrar as terras, organizar colônias
agrícolas e estimular o aproveitamento dos recursos naturais
existentes.
Nos
primeiros anos da vida do Território Federal as iniciativas
para a ocupação do espaço com atividades agro-pastoris,
foram tímidas. Mas dentre estas podemos destacar: a construção
de 52 casas residenciais no centro de Boa Vista (entre as ruas José
Magalhães, Benjamim Constant e Avenida Getúlio Vargas);
construção dos Grupos Escolares Lobo D’Almada,
Osvaldo Cruz, Prof. Diomedes e Afrânio Peixoto; instalação
do Curso Normal Regional Monteiro Lobato, (com o objetivo de formar
professores para o ensino regular) e o Ginásio Euclides da
Cunha; constituição da Legião Azul (homens
que usavam uniformes azuis de mescla) para fazer o desmatamento
da estrada de Mucajaí a Caracaraí; criação
das três primeiras colônias agrícolas de Roraima
(Coronel Mota no Taiano, Braz de Aguiar, no Cantá e Fernando
Costa em Mucajaí.
Para
que essas colônias fossem criadas e prosperassem, o governo
do Território trouxe do Maranhão muitos colonos. Para
estes, o governo fornecia: passagem, hospedagem no período
de adaptação, 25 hectares de terras, ferramentas agrícolas,
mosqueteiros, remédios, assistência médica e
assistência técnica permanente, sementes e mudas. Nos
últimos anos da existência do Território Federal
(o Estado foi considerado implantado com a posse do primeiro Governador
eleito, em 1.º de janeiro de 1991), o governo federal abriu
a BR-174 e a BR-210 e ao longo dessas rodovias implantou inúmeros
projetos de colonização. Em 1982 eram 42 colônias
agrícolas em fase de implantação.
Além
das BRs como espinhas de peixe, perpendiculares às estradas
penetrando na selva, foram abertas as chamadas Estradas Vicinais
para multiplicar o número de lotes e possibilitar que mais
famílias fossem assentadas. Para esses novos projetos de
colonização foram trazidos colonos do nordeste (especialmente
do Maranhão) e também do sul do país.
O
Território Federal
O
primeiro Território Federal brasileiro foi o do Acre, em
1903. Em 1943, o Presidente Getúlio Vargas criou cinco Territórios
Federais: Rio Branco (depois Roraima) Guaporé (depois Rondônia),
Amapá, Iguassú e Ponta Porã. Os dois últimos
foram extintos em 1946. O objetivo da criação dos
Territórios Federais era o de ocupar os espaços vazios
do território nacional e em especial na Amazônia. A
criação dos Territórios Federais brasileiros
ocorreu em plena II Guerra Mundial. Tem-se, como certo, que foi
a idéia da segurança nacional o que impulsionou o
ato da criação.
O
Território Federal do Rio Branco, apesar de ter sido criado
em 13 de setembro de 1943, somente em abril de 1944 conheceu o seu
primeiro Governador. Este chegou a Boa Vista em junho daquele ano.
O Presidente Getúlio Vargas foi o criador dos Territórios
Federais, mas ele foi deposto do seu cardo em 1944. Seu sucessor,
Eurico Gaspar Dutra não demonstrou o mesmo entusiasmo que
Getúlio, quanto aos territórios. Podemos dividir a
história administrativa de Roraima, em três períodos
distintos:
De
1943 a 1964.
Nesse
período, Roraima teve 15 governadores titulares entre militares
(maioria) e civis. O senador Vitorino Freire, do Maranhão,
indicou direta ou indiretamente, 10 desses governadores, numa prova
de sua influência política junto ao governo federal.
Cada governador, no entanto ficou pouco tempo (média de 16
meses). Nesse curto espaço de tempo, aliado ao desconhecimento
do Território, o governante quase nada podia realizar. Assim
de 1943 a 1964, o Território Federal de Roraima foi mal administrado
e não alcançou o desenvolvimento esperado.
Governadores
de 1943 a 1964.
Capitão
Ene Garcez dos Reis
Tenente Coronel Felix Valois de Araújo
Capitão Clóvis Nova da Costa
Dr. Miguel Ximenes de Melo
Professor Jerocílio Queiroz
Coronel Belarmino Neves Galvão
Senhor Aquilino da Mota Duarte
Dr. José Luiz de Araújo Neto
Tenente Coronel Auris Coelho e Silva
General Médice Ademar Soares da Rocha
Capitão Jos~e Maia Barbosa
Hélio Magalhães de Araújo
Dr. Djacir Cavalcante de Arruda
General Clóvis Nova da Costa
Dr. Francisco de Assis Albuquerque
De
1964 a 1985.
Nesse
período de 21 anos, Roraima teve 8 governadores que administraram
com poderes militares, uma vez que o Brasil foi conduzido nesta
fase de sua vida republicana, pelo chamado governo revolucionário
militar ou como querem alguns, ditadura militar.
Os
oito governadores foram:
Tenente
Coronel Dilermando Cunha da Rocha
Tenente Coronel Hélio da Costa Campos
Major Walmor Leal Dalein
Tenente Coronel Hélio da Costa Campos
Coronel Fernando Ramos Pereira
Brigadeiro Ottomar de Souza Pinto
Brigadeiro Vicente de Magalhães Morais
General Arídio Martins de Magalhães
De
1985 a 1990. Após o Governo Militar com a redemocratização
do país e após a eleição indireta de
Tancredo Neves para a Presidência da República, o Território
Federal de Roraima passou novamente a ser governador por pessoas
indicadas por políticos.
Neste
período, foram indicados para governar Roraima:
Getúlio
Alberto de Souza Cruz
Roberto Pinheiro Klein
Romero Jucá Filho
Rubens Vilar de Carvalho
Governadores
do Estado
Com
a constituição promulgada em 5 de outubro de 1988,
o Território Federal de Roraima foi transformado em Estado
membro da Federação. Sua implantação
de acordo com a Lei, ocorreu com a posse do primeiro Governador,
em 1.º de janeiro de 1991.
O primeiro Governador do Estado de Roraima foi o Brigadeiro, Ottomar
de Souza Pinto, que governou de 1.º de janeiro de 1991 a 31
de dezembro de 1994. O segundo Governador do Estado, foi Neudo Ribeiro
Campos, roraimense e engenheiro civil. Tomou posse no dia 1.º
de janeiro de 1995, sendo reeleito em 1998.
Em abril de 2002, Neudo Campos deixou o cargo para concorrer a Senador
da República. Em seu lugar, tomou posse o vice-governador,
Flamarion Portela, que na disputa pelo governo, nas eleições
de 2002, venceu o candidato Ottomar de Souza Pinto. Tomou posse
em 1 de janeiro de 2003, para mais um mandato de quatro anos.
O
Estado de Roraima
O
antigo Território Federal de Roraima foi transformado no
atual Estado de Roraima, pelo Art 14 do Ato das Disposições
Transitórias da Constituição Brasieleira, promulgada
em 1998. Assim, antigo Território Federal existiu de 13 de
setembro de 1943 até 5 de outubro de 1988.
O período de 5 de outubro de 1988 a 31 de dezembro de 1990
é considerado de transição do Território
Federal para o Estado. Logo após a posse de Ottomar Pinto,
pôde nomear os seus auxiliares (secretários de estado),
através da Medida Provisória criou as seguintes Secretarias:
Secretaria
de Estado da Administração
Secretaria de Estado da Fazenda
Secretaria de Estado do Planejamento
Secretaria de Estado da Educação
Secretaria de Estado da Saúde
Secretaria de Estado do Trabalho e Bem Estar Social
Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento
Secretaria de Estado de Obras e Serviços Públicos
Secretaria de Estado da Segurança Pública e
Secretaria de Estado de Interior e Justiça
Mais:
O
Gabinete Civil
Gabinete Militar
Procuradoria Geral do Estado
Estes
três últimos são pertencentes a chamada Governadoria
do estado (acrescidos da Vice-Governadoria e da Polícia Militar)
Em
junho de 1991, a Secretaria de Estado de Interior e Justiça
teve sua denominação alterada para Secretaria de Meio
Ambiente, Interior e Justiça (Semaijus). Esta, finalmente,
extinta em 1995. Mas o Estado, para ser considerado implantado,
precisa ter os três poderes funcionando; Executivo, Judiciário
e Legislativo. Sem o funcionamento desses três poderes ou
poderes ou mesmo de um deles não se considera que o Estado
esteja, democraticamente implantado.
O
poder Legislativo, constituído pela Assembléia Legislativa,
foi eleito em 1990 na mesma eleição do governador.
Foram eleitos 24 deputados estaduais. Estes, igualmente, tomaram
posse no dia 1.º de janeiro de 1991 e após sua posse,
reunidos, empossaram o governador. O primeiro presidente do Poder
Legislativo roraimense foi o Deputado, Flávio Chaves.
No
início dos seus trabalhos, a Assembléia Legislativa
não tinha onde se reunir. A princípio funcionou em
três salas improvisadas cedidas pelo Bando do Estado de Roraima,
sem o mínimo de condições necessárias
ao pleno desenvolvimento dos seus trabalhos. Posteriormente, e visando
a melhoria do seu desempenho passou a funcionar no Palácio
da Justiça (atual Fórum Sobral Pinto), com auditório
amplo e melhores condições de trabalho. Depois de
8 meses de sua existência, pôde finalmente, o poder
legislativo se instalar no atual Palácio “Antonio Martins”,
onde se encontra.
Roraima:
nossa terra
Quando
os primeiros colonizadores chegaram a Roraima (vale do rio Branco)
a população da região era exclusivamente indígena.
Os índios, de acordo com teoria aceita por muitos estudiosos,
são originários do continente asiático e penetraram
no continente americano pelo Estreito de Bering. A penetração
dessas pessoas levou muitos anos para se concretizar. Os primeiros
homens que por aqui chegaram, tinham uma vida cuja alimentação
era baseada na pesca e na coleta de mariscos. Viviam junto ao mar
há, aproximadamente 15.000 anos.
Dos
primeiros homens que chegaram à América do Sul, há
sinais encontrados no litoral do Oceano Pacífico e também
no litoral do Atlântico. Na medida que novas levas de pessoas
iam chegando, havia um pequeno deslocamento em direção
à floresta (para coleta de frutos silvestres e para caça).
Entre os caminhos iniciais das penetrações está
a costa venezuelana onde, a partir daí, chegaram à
costa da Guiana e do Amapá e penetravam no continente pelo
rio Orinoco .Seguindo por essas rotas e pela costa do Pacífico
também, palmilhavam a Amazônia e de resto, todo o continente
sul-americano, como indicam os achados arqueológicos nas
nascentes do rio Amazonas (datados de 7.563 a.c) e os da costa do
salgado do Pará (de3.000 a.c).
Na
região do vale do rio Branco, esses povos chegaram pelo Caribe
e pelo rio Orinoco. Infelizmente ainda não foi encontrado,
em Roraima, vestígios arqueológicos com os quais se
possa conhecer a data provável da chegada dos primeiros povos
a esta região. Há estimativas, no entanto, de que
esses povos primitivos devam ter chegado ao vale do rio Branco por
volta de 3.000 a 4.000 a.c. Desses povos primeiros derivam os índios
que os colonizadores europeus encontraram quando aqui chegaram em
1.500.
O
primeiro europeu a percorrer o rio Amazonas foi o espanhol Francisco
Orelha em 1539. Ele percorreu o grande rio de sua cabeceira a sua
foz. Pedro Teixeira foi o primeiro português a percorrer o
rio Amazonas e o rio Negro no início do século XVII.Foi
ele quem trocou o nome de rio Queçoene, como era conhecido
pelos índios, para rio Branco. A partir daí foram
registradas inúmeras entradas de colonizadores, exploradores
e cientistas no vale do rio Branco. Os colonizadores europeus tratavam,
principalmente de conquistar os índios. Estes repudiavam
essas conquistas e por isso eram maltratados, presos e escravizados.
A
Lei do colonizador institui a chamada Guerra Jsta que era quando
o índio se recusava a aceitar as imposições
do colonizador. Partindo dessa recusa, segundo a Lei, era Justo
aprisioná-los, escravizá-los e até matá-los.
Quem realizava essa Guerra Justa, eram as Tropas de Resgate (resgatavam
índios para vendê-los como escravos em Belém
e São Luiz do Maranhão). Essas guerras contribuíram
para as baixas (mortes) entre os índios, para a diminuição
da população indígena e para a Revolta Geral
das tribos.
A
Região sul do Estado
A
ocupação da região sul do Estado de Roraima
é recente. Até o início da década de
70 só era conhecida a parte situada às margens do
rio Branco. A abertura da estrada Manaus-Boa Vista (inaugurada em
1977) e da Perimetral Norte, possibilitou o assentamento de famílias
nas colônias ao longo destas estradas bem como das vicinais
abertas. A estrada Manaus-Boa Vista tem uma longa história.
Desde o ano de 1847 que o governo do Estado do Amazonas tentava
construí-la. Mas só em 1893 foi que o cidadão
Sebastião Diniz, contratado pelo governo amazonense, conseguiu
abrir um picada de Manaus a Boa Vista numa extensão de 815
km, cruzando nove rios e 734 igarapés grandes e pequenos.
Deixou-a livre de arbustos e árvores que não excedesse
a 50 cm de circunferência.
Da
abertura dessa picada até 1977, quando a estrada foi inaugurada
pelo Vice-Presidente da República, Adalberto Pereira dos
Santos, decorreram 84 anos. A execução final da obra
coube ao Sexto Batalhão de Engenharia de Construção
6.º BEC, sediado em Boa Vista. O trecho de Caracaraí
ao Novo Paraíso (112km) é comum à Perimetral
Norte e à Manaus-Boa Vista. Em Novo Paraíso as duas
estradas se separam e seguem direções diferentes:
a Maunaus-Boa Vista segue a direção norte/sul (até
Manaus) e a Perimetral Norte segue a direção nordeste
(até o Estado do Pará). A abertura dessas estradas
e mais recente da RR-170 que liga Novo Paraíso ao Cantá
e à Boa Vista, passando pelas Confianças I, II e III,
possibilitou o descobrimento das potencialidades da região
sul do Estado de Roraima.
Para
ocupar esta região, eminentemente de florestas, foram trazidos
colonos do Maranhão, em sua maioria e também do Paraná
e do Rio Grande do Sul. Esta região hoje abrange prósperos
municípios como Caroebe, São João da Baliza,
São Luiz do Anauá e Rorainópolis, além
de Caracaraí que desenvolve o baixo rio Branco. A região
sul do Estado de Roraima escoa sua produção para Boa
Vista, mas muitos preferem Manaus. Existem pessoas, nesta região,
que não se interessam em viajar à capital do Estado,
dado sua ligação estreita com Manaus.
Nesta
região iniciou-se a produção de mel de abelha
no Estado. Hoje Roraima é auto-suficiente na produção
de mel de abelha e o excedente é comercializado com o Estado
do Amazonas. Nessa região está concentrada a pecuária
mais racional e econômica que utiliza, como pasto, o capim
plantado. Após a derrubada e a queima da floresta, é
feito o plantio do arroz e do milho e depois o agricultor planta
o capim para formar o pasto. Este sistema é muito mais trabalhoso
que o sistema tradicional da criação do gado no pasto
natural (no lavrado), mas seus resultados são melhores economicamente.
Os mais assim criados atingem o peso de abete mais cedo e as vacas
dão mais leite. A região sul do Estado é bem
diferente da região norte. Possi características próprias.
Foi com a ocupação dessa região que ocorreu
a exploração demográfica de Roraima a partir
da década de 70.
A
economia de Roraima
A
economia de Roraima está baseada na produção
agropecuária e na mineração. Na agropecuária,
o comércio de bois vivos destinado ao abate em Manaus foi,
até a década de 70 a base econômica de maior
destaque. Através das boieiras (barcos grandes que transportavam
os animais dos portos das fazendas), até a cidade de Manaus.
Daquela cidade traziam gêneros alimentícios e bens
de consumo para os fazendeiros e para o comércio de Boa Vista.
Durante anos foram comercializados com Manaus uma média anual
de 8 mil bois.
Este
comércio acabou devido a dois fatores: o primeiro foi o crescimento
populacional do Estado que passou a consumir maior quantidade de
carne bovina e segundo foi a paralisação do crescimento
do rebanho bovino. Hoje Roraima importa carne bovina, suína
e de aves. Mas foi a produção de arroz irrigado que
ocupou o lugar da carne bovina no comércio de Roraima com
Manaus, como produto da agropecuária. No ano de 1977, foi
introduzida a mecanização agrícola em Roraima
para o cultivo do arroz nos lavrados. O sistema de produção
de arroz de sequeiro não teve êxito esperado, mas possibilitou
o aproveitamento da tecnologia da produção mecanizada
para a cultura do arroz irrigado nas várzeas (parte baixa
às margens dos rios, também conhecida como igapó).
As várzeas em Roraima são abundantes ao longo dos
rios Branco, Tacutu, Uraricoera, Amajari e Cauamé.
O
arroz produzido nas várzeas com o sistema de irrigação
tem dado ótima produtividade e é de boa qualidade.
Serve para abastecer o Estado e seu excedente é comercializado
com Manaus. Outras culturas como o milho, a mandioca e o feijão
também são produzidas mas não atingem o nível
de produção do arroz . No caso da mandioca, o Estado
é auto-suficiente na produção de farinha de
mandioca. Até a década de 60, Roraima importava farinha
de mandioca do Amazonas e do Pará. Hoje já existe
um pequeno excedente capaz de inverter o fluxo comercial desse produto.
Roraima
produz também apenas para seu abastecimento, frutas tropicais
como mamão, melão, abacaxi, laranja, banana, tangerina,
caju, limão, melancia e outros. Na produção
das hortaliças, tem havido grande progresso nos últimos
anos. No extrativismo vegetal, Roraima sempre ocupou posição
secundária na economia da Amazônia. Produz em pequena
quantidade: castanha-do-Pará, sorva e madeira. A castanha-do-Pará
e a sorva são comercializadas com Manaus. A madeira teve
seu ponto máximo de produção entre 1975 e 1978
com a comercialização de madeira em toras semi-beneficiadas,
para a Venezuela. Em 1982 a Venezuela aumentou o importo de importação
da madeira oriunda de Roraima e inviabilizou o comércio desse
produto. Hoje, Roraima exporta para a Venezuela madeira semi-acabada
como em compensado e pranchas.
No
extrativismo animal, o Estado, no baixo rio Brando notadamente nos
rios Água Boa do Univini e Xeruini, produz muito peixe ornamental
(principalmente o cardinal, de grande procura no comércio
internacional), mas a fazenda estadual de Roraima não recebe
nenhum centavo de imposto por falta de fiscalização.
Quanto à produção mineral, esta teve início
em 1930. Severino Mineiro, que apesar do apelido, era paraibano,
chegou ao vale do rio Branco no início do século XX
e começou os trabalhos de garimpagem de ouro e de diamantes
na região das serras no norte do Estado.
A
garimpagem é uma atividade permanente em Roraima, mas com
altos e baixos quanto ao seu nível. Nas localidades de Tepequém,
Mutum, Cotingo, Suapi, Mau, Água Fria e Surucucus a produção
varia de acordo com a maior ou menor ênfase que o governo
dá a questão ambiental e indígena. Na região
de Surucucus já se produziu cassiterita e ouro na década
de 80. Hoje está totalmente paralisada depois que foi criado
o Parque Nacional dos Índios Ianomâmi em 1991. Roraima
é uma província mineral de grande potencialidade já
identificada pelo Projeto RADAM (Radar da Amazônia) em 1978
mas ainda não foi explorada economicamente como deve ser.
A
indústria roraimense dispõe de um Distrito Industrial
em Boa Vista. Nele estão localizadas pouco mais de 20 indústrias
de pequeno porte que produzem refrigerantes, derivados do leite
e beneficia cereais, madeira e outros. O comércio apresenta-se
tradicionalmente como importador de outras peças, principalmente
de São Paulo e Manaus. Com as facilidades de importação,
iniciadas com abertura comercial do Brasil, em 1990, o comércio
roraimense tem importado da Venezuela, diversos produtos como: cimento,
ferro, combustível, cerveja, refrigerantes e produtos industrializados
para a alimentação. A prática do comércio
exterior é um fator importante para o desenvolvimento de
Roraima.
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