Governador de Roraima manda
polícia derrubar marcos de Parque Nacional
O governador José de Anchieta (PSDB) determinou, na manhã
desta terça-feira, 12, que a Polícia Militar remova
os marcos que fazem a demarcação do Parque Nacional
do Lavrado, na região da Serra da Lua, a sudeste de Roraima.
No início da tarde, vinte pessoas – entre técnicos
e policiais –, deslocaram-se de Boa Vista para aquela região.
José de Anchieta definiu a demarcação de
terras como uma afronta à lei e um desrespeito ao pacto
federativo. Segundo moradores da região da Serra da Lua,
entre os municípios de Bonfim e Cantá, os marcos
estariam sendo fincados por pessoas ligadas ao Instituto Chico
Mendes de Conservação da Biodiversidde (ICM-Bio),
órgão ligado ao Ministério do Meio-Ambiente,
que nega a determinação, e à Organização
Não-Governamental WWF.
A legislação federal determina que nenhuma demarcação
de Unidade de Conservação será feita sem
consulta pública e sem consulta ao governo do estado. É
o que consta das leis de números 10.304/2001 e 11.949/2009
e que não teria sido respeitado, em descumprimento a lei
sancionada pelo próprio presidente Lula no ano passado.
Produtores rurais da Serra da Lua estiveram com o governador
José de Anchieta, na sexta-feira, dia 9, para pedir providências.
Laerth Thomé e Ricardo Luiz Trindade de Araújo informaram
que fazendas muito antigas, com títulos definitivos de
propriedade, estariam sendo demarcadas por pessoas ligadas ao
Instituto Chico Mendes e à ONG WWF, sem o consentimento
de seus proprietários. Três marcos já haviam
sido identificados.
O presidente do Instituto de Terras de Roraima (Iteraima), Pedro
Paulino, diz que tinha conhecimento da pretensão do governo
federal em criar uma reserva, na forma de Parque Nacional, com
305 mil hectares, na região da Serra da Lua, mas esperava
que os trâmites legais de criação, como a
audiência pública e a anuência do governo,
fossem obedecidos.
A posição do governador José de Anchieta
é de não aceitar a demarcação e desocupação
de mais uma área de terras no estado. Ele argumenta que
o bioma do lavrado, alegado para a criação do Parque
Nacional, já é preservado em mais de 2,5 milhões
de hectares de terras indígenas e militares de Roraima.
Na Serra da Lula existem fazendas centenárias, famílias
na sexta geração vivendo ali. A criação
do Parque Nacional consideraria essas famílias intrusas
e obrigaria a desocupação de toda a área.
“Trata-se de uma injustiça com um povo que dedicou
a vida ao cultivo daquelas terras e que garantiu a integridade
daquele território como brasileiro, na divisa com a República
da Guiana”. justifica o governador Anchieta.
Do quartel do comando da Polícia Militar de Roraima foi
dada a ordem, às 14 horas desta quarta-feira, para os policiais
removerem os marcos e prenderem em flagrante quem insista em demarcar
a área. A ordem foi dada pelo comandante da PM, coronel
Gérson Chagas, em cumprimento a determinação
do governador José de Anchieta.
Dez caminhonetes e um helicóptero estão transportando,
na tarde de hoje, peritos do Instituto de Criminalística
da Polícia Civil, um delegado de polícia, oito policiais
militares e técnicos do Iteraima para a região.
A ordem de remoção dos marcos começa a ser
cumprida ainda nesta tarde e deve prosseguir durante o dia de
amanhã.
O governador José de Anchieta diz que vai tomar todas
as providências legais possíveis para garantir o
direito dos produtores da Serra da Lua e o respeito à sociedade
de Roraima, que, em sua opinião, “não pode
assistir, incólume, a tamanha agressão ao Estado
Democrático de Direito, em que todos se subordinam à
lei, inclusive o governo federal”.
O governador de Roraima se define como um aliado do presidente
Lula na defesa do interesse nacional e acha que a ordem de demarcação
do Parque Nacional do Lavrado não conta com a anuência
do Palácio do Planalto. “Com certeza o presidente
não tem conhecimento do que está sendo feito em
nome do seu governo”, observa.
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