| "Governo é o entreguista
da soberania do Brasil", afirma Mozarildo
Em discurso da tribuna do Plenário nesta sexta-feira,
15, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) classificou o governo
de "entreguista" da soberania e da integridade territorial
do Brasil, por ter convidado o relator especial das Nações
Unidas para os Direitos Humanos e as Liberdades Fundamentais dos
Povos Indígenas, James Anaya, a acompanhar a situação
das reservas indígenas do Brasil. O relator chegou ontem
ao país e deverá visitar, até 25 de agosto,
áreas indígenas em Roraima, Pará, Mato Grosso
e Amazonas, em especial a Reserva Raposa Serra do Sol (RR).
“A versão que o governo passou ontem [quinta-feira],
de que a vinda desse representante da ONU teria sido quase que
uma surpresa para o governo brasileiro, hoje está desmentida.
Foi a convite, como divulgado pelo site do Ministério das
Relações Exteriores. É muito interessante
que o governo brasileiro seja, ele próprio, o entreguista
da nossa integridade territorial e da nossa soberania”,
afirmou Mozarildo.
O senador citou notícias divulgadas pelos jornais nesta
sexta-feira, as quais destacam reunião realizada por Anaya
com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e com o presidente
da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio
Meira. Na opinião do parlamentar, o roteiro oficial preparado
para o representante da ONU poderá contribuir para que
Anaya tenha uma visão distorcida a respeito da demarcação
da Reserva Raposa Serra do Sol, pois o relator não ouvirá
todas as partes envolvidas no conflito.
“Esta reserva foi demarcada de maneira fraudulenta, passando
por cima dos interesses dos índios de lá”,
frisou o senador.
Ao ilustrar seu discurso com mapas de Roraima, nos quais foram
identificadas as áreas das reservas indígenas do
estado, Mozarildo também se mostrou preocupado com a grande
extensão territorial da reserva Yanomami.
“O que falta para, amanhã, a ONU declarar essa área
como um país? Tem território demarcado pelo governo
brasileiro e tem, entre aspas, um povo com língua e cultura
próprias. Pronto, é um país. A ONU declara
e, se o Brasil reagir, vêm os boinas azuis e ocupam a área”,
ressaltou ele, referindo-se à força de paz das Nações
Unidas.
Em seu pronunciamento, o senador também defendeu a aprovação
da Proposta de Emenda à Constituição 38/99,
de sua autoria, que estabelece como competência privativa
do Senado a aprovação de processo de demarcação
de terras indígenas. A matéria tramita na Comissão
de Constituição de Constituição, Justiça
e Cidadania (CCJ).
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