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Governador e deputados ouvem
indígenas da Raposa/Serra do Sol
Os deputados da Comissão de Relações Exteriores
e Defesa Nacional que visitam Roraima nesta quinta-feira, 14,
passaram o dia na região da Raposa/Serra do Sol, na companhia
do governador José de Anchieta Júnior (PSDB), para
ouvir moradores sobre a demarcação da reserva indígena.
Estiveram com os dois lados do litígio de terras. Ouviram
de tudo.
A reserva de Raposa/Serra do Sol, de 1,70 milhão de hectares,
fica ao Norte de Roraima, entre os municípios de Normandia,
Uiramutã e Pacaraima, e tem a demarcação
contestada junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A visita começou pela comunidade da Raposa, no município
de Normandia, às 12h20. Depois da conversa com os índios,
foi oferecido um almoço pelo
governador aos deputados Antônio Carlos Pannunzio (PSDB/SP),
Moreira Mendes (PPS/RO) e Chico Rodrigues (DEM/RR), integrantes
da Comissão, e aos deputados federal Urzeni Rocha (PSDB/RR)
e estadual Rodolfo Braga (PTN).
Duas outras localidades foram visitadas – a Serra do Sol,
no município de
Normandia, onde vivem 1.222 índios ingaricós, e
a vila Surumu, em Pacaraima, palco de incidentes violentos envolvendo
índios e não-índios durante uma processo
deflagrado há três meses pela Polícia Federal
para retirada de quem ocupa a região da forma que o Governo
Federal considera ilegal.
Raposa/Serra do Sol virou palco de conflitos porque parte das
comunidades indígenas defende a demarcação
da reserva em território contínuo e outra parte
defende que a demarcação deixe de fora as vilas
Mutum, Socó, Água Fria e Surumu, estradas, linhas
de transmissão de energia e fazendas de criação
de gado e produção de arroz. Com isso, não-índios
permaneceriam na região.
Está marcado para o próximo dia 27, no STF, em
Brasília, o julgamento do
processo que vai definir se a demarcação da reserva
indígena será contínua ou descontínua.
Enquanto isso, a Polícia Federal mantém homens armados
e com viaturas na vila Surumu, principal via de acesso à
área, com a missão de garantir a paz, por decisão
do Supremo.
Os índios reconhecem que precisam da demarcação,
mas divergem quanto ao tamanho ideal da reserva. Alguns, como
o Ingaricó Albertino Macuxicó, reclamam da possibilidade
de isolamento e da presença de religiosos naquela região.
“Os missionários catequizaram para dividir os indígenas,
que hoje brigam com seus próprios parentes e dividiram
suas comunidades”, avalia.
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