Dia 15/08/2008

Governador e deputados ouvem indígenas da Raposa/Serra do Sol

Os deputados da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional que visitam Roraima nesta quinta-feira, 14, passaram o dia na região da Raposa/Serra do Sol, na companhia do governador José de Anchieta Júnior (PSDB), para ouvir moradores sobre a demarcação da reserva indígena. Estiveram com os dois lados do litígio de terras. Ouviram de tudo.

A reserva de Raposa/Serra do Sol, de 1,70 milhão de hectares, fica ao Norte de Roraima, entre os municípios de Normandia, Uiramutã e Pacaraima, e tem a demarcação contestada junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A visita começou pela comunidade da Raposa, no município de Normandia, às 12h20. Depois da conversa com os índios, foi oferecido um almoço pelo
governador aos deputados Antônio Carlos Pannunzio (PSDB/SP), Moreira Mendes (PPS/RO) e Chico Rodrigues (DEM/RR), integrantes da Comissão, e aos deputados federal Urzeni Rocha (PSDB/RR) e estadual Rodolfo Braga (PTN).

Duas outras localidades foram visitadas – a Serra do Sol, no município de
Normandia, onde vivem 1.222 índios ingaricós, e a vila Surumu, em Pacaraima, palco de incidentes violentos envolvendo índios e não-índios durante uma processo deflagrado há três meses pela Polícia Federal para retirada de quem ocupa a região da forma que o Governo Federal considera ilegal.

Raposa/Serra do Sol virou palco de conflitos porque parte das comunidades indígenas defende a demarcação da reserva em território contínuo e outra parte defende que a demarcação deixe de fora as vilas Mutum, Socó, Água Fria e Surumu, estradas, linhas de transmissão de energia e fazendas de criação de gado e produção de arroz. Com isso, não-índios permaneceriam na região.

Está marcado para o próximo dia 27, no STF, em Brasília, o julgamento do
processo que vai definir se a demarcação da reserva indígena será contínua ou descontínua. Enquanto isso, a Polícia Federal mantém homens armados e com viaturas na vila Surumu, principal via de acesso à área, com a missão de garantir a paz, por decisão do Supremo.

Os índios reconhecem que precisam da demarcação, mas divergem quanto ao tamanho ideal da reserva. Alguns, como o Ingaricó Albertino Macuxicó, reclamam da possibilidade de isolamento e da presença de religiosos naquela região. “Os missionários catequizaram para dividir os indígenas, que hoje brigam com seus próprios parentes e dividiram suas comunidades”, avalia.

 

 

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