| Mozarildo critica simpósio
oficial sobre Raposa/Serra do Sol
O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) voltou a questionar nesta
terça-feira, 05, os critérios de demarcação
da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, localizada em
Roraima. O parlamentar chamou a atenção para mais
um episódio no que ele chamou de um "processo artificial
de fixação dos índios na área":
um seminário sobre o assunto realizado nesta segunda-feira,
04, pelo Ministério da Justiça, e que se pautou,
de acordo com o senador, por um ritual pouco democrático.
Conforme Mozarildo, dos 11 palestrantes, nove eram favoráveis
à demarcação. E o único índio
presente pertence a uma entre várias tribos. As demais
deixaram de ser representadas.
No entender do parlamentar, o seminário foi realizado com
o único objetivo de firmar uma posição quanto
ao interesse do governo em manter a reserva como está.
Ele lembrou que a matéria segue em exame no Supremo Tribunal
Federal (STF), onde correm 33 ações contra a demarcação.
O senador mais uma vez historiou a demarcação da
reserva, que teria sido conduzida pela Igreja Católica
e por organizações não-governamentais, de
tal forma a unir duas áreas distintas - a região
da montanha Serra do Sol, na fronteira com a Guiana e a Venezuela,
e a Raposa, área de campos naturais, distante 150 quilômetros.
- A terra indígena vem sendo objeto de manipulações
sucessivas da Funai por ONGs há três décadas
- disse Mozarildo. Segundo ele, essas organizações
levaram índios para um périplo pela Europa, terminando
em encontro com o papa Bento XVI, para angariar apoio político
e financeiro.
De acordo com o parlamentar, a Igreja fez um trabalho "sutil
e competente" de espalhar índios em uma região
que antes não ocupavam. Com a demarcação,
agricultores cujas famílias ocupavam há mais de
cem anos áreas hoje dentro da reserva estão sendo
expulsos. São 458 famílias obrigadas a migrar para
as periferias de cidades ou se instalar numa área de "cerrado
ruim" sem apoio e indenização, conforme o parlamentar.
O senador roraimense recebeu apoio dos senadores Marisa Serrano
(PSDB-MS) e Valter Pereira (PMDB-MS). Segundo Marisa, "Mato
Grosso do Sul está em pé-de-guerra" por causa
da destinação de uma extensa faixa de terra a reservas
indígenas. Valter Pereira informou que está ultimando
seu parecer a cinco propostas de emenda à Constituição
(PEC), que, em sua maioria, têm como objetivo atribuir ao
Senado Federal a competência e a jurisdição
para aprovar e homologar reservas indígenas.
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