Dia 05/08/2008

General alerta sobre política indigenista e ambiental

O ex-comandante militar da Amazônia, general Luiz Gonzaga Schoeder Lessa, encerrou o ciclo de palestra do 1º Seminário Nacional de Produtores Rurais e Desenvolvimento Sustentável, na tarde desta segunda-feira, 04. Ele alertou sobre potencial internacionalização da Amazônia, criticou a política do Governo Federal para região e defendeu a criação de um modelo de desenvolvimento sustentável.

Classificado pelo presidente da Confederação Nacional da Agricultura e
Pecuária, Fábio de Salles Meirelles, como um intransigente defensor da
Amazônia, o general falou convidando o público a “dividir preocupações”. Ele ilustrou sua fala com frases de diversas autoridades mundiais, questionando a capacidade do Brasil de cuidar da Amazônia, e revelou preocupações sobre as imensas áreas de preservação ambiental e terras indígenas que estão sendo criadas numa imensa faixa de fronteira.

Com cinco milhões de quilômetros quadrados, mais da metade do território brasileiro e área correspondente a quase toda Europa, a Amazônia representa uma ferida aberta que cria preocupações e desperta interesses do mundo inteiro. Com essa visão, o general Lessa criticou duramente a demarcação de terras indígenas de forma contínua, destacou a riqueza mineral e o imenso vazio demográfico da região, o potencial hídrico que pode, inclusive, no futuro ser motivo de conflitos bélicos, e a “invasão branca” que já estaria acontecendo com a atuação das Organizações não Governamentais.

Sobre a terra indígena Raposa Serra do Sol, o palestrante destacou que a
decisão do Supremo Tribunal Federal sobre as ações que contestam a demarcação deve mudar a política indigenista do Governo Federal. “O comprometimento de grande parte de seu território por áreas de domínio da União e reservas indígenas, inviabilizam o crescimento do Estado, que é a porta de entrada para o Caribe, e prejudica o agronegócio e a exploração de minérios”, afirmou.

“O Supremo precisará ter olhos de estadista, temos 20 milhões de hectares em área contínua, somando a área indígena Yanomami no Brasil e na Venezuela, e as reservas São Marcos e Raposa Serra do Sol. Se acrescentarmos a isso, uma área de contestação pela Venezuela na Guiana, teremos 50 milhões de hectares de área contínua, o que representa um convite para pressões internacionais”, reforçou seu argumento.

Com base em gráficos e mapas, o general Lessa criticou a postura da imprensa nacional, que, segundo ele, vê a Amazônia em chamas, revelando que há mais de 3 milhões de quilômetros quadrados praticamente intocados na região. O palestrante destacou também o imenso cinturão formado por áreas indígenas e de preservação ambiental, que se criou nas áreas de fronteira internacional, e,
segundo ele, engessa a Amazônia, impede a criação de uma política de
desenvolvimento sustentável e torna o País vulnerável à “invasão estrangeira”.

 

 


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