General alerta sobre política
indigenista e ambiental
O ex-comandante militar da Amazônia, general Luiz Gonzaga
Schoeder Lessa, encerrou o ciclo de palestra do 1º Seminário
Nacional de Produtores Rurais e Desenvolvimento Sustentável,
na tarde desta segunda-feira, 04. Ele alertou sobre potencial
internacionalização da Amazônia, criticou
a política do Governo Federal para região e defendeu
a criação de um modelo de desenvolvimento sustentável.
Classificado pelo presidente da Confederação Nacional
da Agricultura e
Pecuária, Fábio de Salles Meirelles, como um intransigente
defensor da
Amazônia, o general falou convidando o público a
“dividir preocupações”. Ele ilustrou
sua fala com frases de diversas autoridades mundiais, questionando
a capacidade do Brasil de cuidar da Amazônia, e revelou
preocupações sobre as imensas áreas de preservação
ambiental e terras indígenas que estão sendo criadas
numa imensa faixa de fronteira.
Com cinco milhões de quilômetros quadrados, mais
da metade do território brasileiro e área correspondente
a quase toda Europa, a Amazônia representa uma ferida aberta
que cria preocupações e desperta interesses do mundo
inteiro. Com essa visão, o general Lessa criticou duramente
a demarcação de terras indígenas de forma
contínua, destacou a riqueza mineral e o imenso vazio demográfico
da região, o potencial hídrico que pode, inclusive,
no futuro ser motivo de conflitos bélicos, e a “invasão
branca” que já estaria acontecendo com a atuação
das Organizações não Governamentais.
Sobre a terra indígena Raposa Serra do Sol, o palestrante
destacou que a
decisão do Supremo Tribunal Federal sobre as ações
que contestam a demarcação deve mudar a política
indigenista do Governo Federal. “O comprometimento de grande
parte de seu território por áreas de domínio
da União e reservas indígenas, inviabilizam o crescimento
do Estado, que é a porta de entrada para o Caribe, e prejudica
o agronegócio e a exploração de minérios”,
afirmou.
“O Supremo precisará ter olhos de estadista, temos
20 milhões de hectares em área contínua,
somando a área indígena Yanomami no Brasil e na
Venezuela, e as reservas São Marcos e Raposa Serra do Sol.
Se acrescentarmos a isso, uma área de contestação
pela Venezuela na Guiana, teremos 50 milhões de hectares
de área contínua, o que representa um convite para
pressões internacionais”, reforçou seu argumento.
Com base em gráficos e mapas, o general Lessa criticou
a postura da imprensa nacional, que, segundo ele, vê a Amazônia
em chamas, revelando que há mais de 3 milhões de
quilômetros quadrados praticamente intocados na região.
O palestrante destacou também o imenso cinturão
formado por áreas indígenas e de preservação
ambiental, que se criou nas áreas de fronteira internacional,
e,
segundo ele, engessa a Amazônia, impede a criação
de uma política de
desenvolvimento sustentável e torna o País vulnerável
à “invasão estrangeira”.
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