| Amazônia das Artes: grupo
matogrossense se apresenta em Boa Vista
O Sesc Roraima traz neste mês de agosto, mais uma atração
teatral dentro do projeto Amazônia das Artes. Nos dias 11
e 12, a Cia. Pessoal de Teatro, de Cuiabá-MT, apresenta
os espetáculos Murucututu e Primeira Pele, sempre às
20, no Espaço Multicultural Sesc Centro. O ingresso é
um quilo de alimento não-perecível, que será
revertido para o Mesa Brasil Sesc.
No espetáculo "Murucututu" a atriz Lílian
Marques apresenta três personagens: a Menina, a Avó
e a Coruja Murucututu. A Menina: símbolo de coragem e dos
anseios da juventude; a Avó: figura emblemática
que traz em si a sabedoria e arte de contar histórias;
e o Murucututu: personagem do mistério e da poesia.
A peça tem também a figura da Narradora que conduz
toda a trama e que permite ao público transitar por todas
as dimensões do espaço-tempo, deixando a cena anacrônica
e aproximando esse universo fantástico das referências
pessoais do espectador.
Horas encenado, horas cantando, e horas narrando, a atriz estabelece
com o público uma relação de cumplicidade,
interagindo o tempo todo com o cenário, com os objetos
de cena e estimulando ativamente a imaginação de
quem participa dessa experiência teatral.
O espetáculo Primeira Pele é um monólogo,
encenado pela atriz Juliana Capilé. A personagem, esquizofrênica,
está num dilema que enfrenta todos os dias: será
que toma o lítio ou não toma? É claro que
o remédio controla sua doença e evita os surtos
característicos da patologia, mas também é
esse remédio que a impede de se sentir livre! Sua imaginação
está solta, pois o efeito da medicação anterior
já passou, e ainda não tomou a próxima dosagem.
É nesse ritmo alucinante, acompanhada pela música
minimalista e percussiva que essa doce personagem decide se enquadrar
na sociedade ou ser livre e louca. O espetáculo escapa
do conceito dramático de esquizofrenia e busca um retrato
dinâmico e hilário, procurando a sensatez da loucura.
As dúvidas da personagem passam a ser as dúvidas
de todos. As certezas deixam de existir e a pergunta é:
quem está delirando?
A Companhia
A companhia nasceu de um outro grupo, "As Bacantes",
que foi montado quando as atrizes estavam estudando teatro em
Curitiba. O grupo, à época, fez apenas um espetáculo
(Retalhos) e depois se separou. As atrizes voltaram a se encontrar
nas montanhas de Minas, e com o espetáculo Primeira Pele,
em 2001, nasceu a Cia. Pessoal de Teatro.
A companhia se baseia na pesquisa do olhar pessoal do espectador,
teorias da cena contemporânea do teatro, pesquisas antropológicas
dentro de diferentes estéticas e buscando fundir várias
correntes e segmentos artísticos.
Atualmente formada por Daniela Leite, Lílian Marques, Juliana
Capilé e Tatiana Horevicht, a companhia fala da alegria
de estar participando desse circuito.
"A grande importância disso é a gente estar
integrado ao circuito norte do país. Eu considero mais
importante que uma turnê pelo sudeste", revela Tatiana
Horevicht. Para elas é mais do que uma chance de mostrar
o trabalho, mas sim, uma possibilidade de enriquecimento cultural
e aproximação dos valores artísticos que
formam todos os estados.
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