Dia 11/08/2008
 

Amazônia das Artes: grupo matogrossense se apresenta em Boa Vista

O Sesc Roraima traz neste mês de agosto, mais uma atração teatral dentro do projeto Amazônia das Artes. Nos dias 11 e 12, a Cia. Pessoal de Teatro, de Cuiabá-MT, apresenta os espetáculos Murucututu e Primeira Pele, sempre às 20, no Espaço Multicultural Sesc Centro. O ingresso é um quilo de alimento não-perecível, que será revertido para o Mesa Brasil Sesc.

No espetáculo "Murucututu" a atriz Lílian Marques apresenta três personagens: a Menina, a Avó e a Coruja Murucututu. A Menina: símbolo de coragem e dos anseios da juventude; a Avó: figura emblemática que traz em si a sabedoria e arte de contar histórias; e o Murucututu: personagem do mistério e da poesia.

A peça tem também a figura da Narradora que conduz toda a trama e que permite ao público transitar por todas as dimensões do espaço-tempo, deixando a cena anacrônica e aproximando esse universo fantástico das referências pessoais do espectador.

Horas encenado, horas cantando, e horas narrando, a atriz estabelece com o público uma relação de cumplicidade, interagindo o tempo todo com o cenário, com os objetos de cena e estimulando ativamente a imaginação de quem participa dessa experiência teatral.

O espetáculo Primeira Pele é um monólogo, encenado pela atriz Juliana Capilé. A personagem, esquizofrênica, está num dilema que enfrenta todos os dias: será que toma o lítio ou não toma? É claro que o remédio controla sua doença e evita os surtos característicos da patologia, mas também é esse remédio que a impede de se sentir livre! Sua imaginação está solta, pois o efeito da medicação anterior já passou, e ainda não tomou a próxima dosagem. É nesse ritmo alucinante, acompanhada pela música minimalista e percussiva que essa doce personagem decide se enquadrar na sociedade ou ser livre e louca. O espetáculo escapa do conceito dramático de esquizofrenia e busca um retrato dinâmico e hilário, procurando a sensatez da loucura. As dúvidas da personagem passam a ser as dúvidas de todos. As certezas deixam de existir e a pergunta é: quem está delirando?

A Companhia
A companhia nasceu de um outro grupo, "As Bacantes", que foi montado quando as atrizes estavam estudando teatro em Curitiba. O grupo, à época, fez apenas um espetáculo (Retalhos) e depois se separou. As atrizes voltaram a se encontrar nas montanhas de Minas, e com o espetáculo Primeira Pele, em 2001, nasceu a Cia. Pessoal de Teatro.
A companhia se baseia na pesquisa do olhar pessoal do espectador, teorias da cena contemporânea do teatro, pesquisas antropológicas dentro de diferentes estéticas e buscando fundir várias correntes e segmentos artísticos.

Atualmente formada por Daniela Leite, Lílian Marques, Juliana Capilé e Tatiana Horevicht, a companhia fala da alegria de estar participando desse circuito.

"A grande importância disso é a gente estar integrado ao circuito norte do país. Eu considero mais importante que uma turnê pelo sudeste", revela Tatiana Horevicht. Para elas é mais do que uma chance de mostrar o trabalho, mas sim, uma possibilidade de enriquecimento cultural e aproximação dos valores artísticos que formam todos os estados.


 

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