| Uma casa para a família
sentimentos
Carlos Correia Santos (*)
| Quando o Amor casou
com a Agonia, todos disseram: isso não vai acabar bem!
Não há como vir frutos dessa união! Isso
não vai dar certo, não vai dar certo! Errado!
Estavam todos errados! O Amor e a Agonia tiveram vários
herdeiros: A Felicidade, a Esperança, o Medo, a Coragem,
a Bondade, o Orgulho, a Humildade, a Ingratidão. |
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Muitos foram os descendentes surgidos desse poderoso casal. Mas
tão imensa família padecia de um grave problema.
Eles não tinham onde morar. Vagavam pelo mundo. Andavam
de lá para cá como ciganos, sem lugar fixo, sem
lar garantido.
Já cansados com aquela situação, o Amor e
a Agonia decidiram pedir a opinião de seus filhos: afinal,
qual era o lugar ideal para que morassem? A Coragem logo se manifestou:
“Temos que fixar morada em um canto colorido pela bravura,
num endereço onde sempre surja a valentia... Um local iluminado
pela força e pelo destemor”. O Medo, ao seu tempo,
opinou: “Eu já acho que precisa ser um local em que
todos nós, os sentimentos, nos sintamos protegidos. Um
local que abrigue a tranqüilidade, a paz de espírito.
Um lugar que jamais possa ser atingido pelos ventos da maldade”.
A Ingratidão, de mãos dadas à Ironia, quis
também dar sua sugestão: “Há de ser
uma casa de pedra em certas temporadas. Uma casa impenetrável
para quem queira destruí-la. Uma casa que não sofra
nenhum abalado diante das tempestades da vida”. A Bondade
e o Orgulho começaram a discutir. Dizia ela: “Tem
que ser um lar decorado pela poesia, enfeitado pela música
e aquecido pelas cores”. Rebatia ele: “Nada disso.
Tem que ser um lar adornado apenas pelas coisas que ele próprio
obtenha. Não há de ser uma casa que precise da misericórdia
de ninguém”.
E a discussão prosseguia. Cada sentimento dizia sua impressão.
Cada sentimento fazia sua indicação. As sugestões
eram muitas, muitas, muitas. O Amor e a Agonia sentaram-se ao
lado da Confusão e passaram a nada mais entender. Quando
o clima já descambava para a balbúrdia, a Esperança
ergueu-se e anunciou: “Eu já sei! Já sei onde
vamos morar!...”. Assim, sempre vestida de verde, ela saiu
cochichando nos ouvidos de todos. De todos os seus irmãos.
De seus pais. E todos sorriram.
Todos pararam e passaram a olhar para ti. Sim, para ti que estas
lendo essa história nesse exato momento. O Amor pediu a
palavra. Ele quer te falar algo... “Sabes qual o lugar perfeito
para todos nós morarmos? O lugar capaz de atender a todas
as exigências que todos os sentimentos fazem?... Só
há um lugar assim perfeito... O teu coração...
Sim, o teu coração, cara pessoa que está
lendo... Tu abres as portas do teu coração para
nós?... Abres?”. Bem, o fim dessa história
está em tuas mãos. Ou no teu peito!!!!...
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