Polícia ambiental faz balanço dos trabalhos realizados em 2011

A Companhia Independente de Policiamento Ambiental Monte Roraima (Cipa), da Polícia Militar, encerrou o ano de 2011 com um saldo positivo de 70 operações realizadas no interior do estado. Criada em 11 de fevereiro de 2010, a Cipa é comandada pelo major PM Vasco Ribeiro Carneiro.
As operações são realizadas em parceria com técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), do Instituto Chico Mendes de Biotecnologia (ICMBio), da Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr) e Secretaria Municipal de Gestão Ambiental e Assuntos Indígenas (Prefeitura de Boa Vista).
A última operação do ano foi feita em parceria com o Ibama, no período de 8 a 22 de dezembro passado. Realizada no baixo rio Branco, a Operação Ibama culminou com a prisão de José Ferreira da Silva Filho, 39 anos, o chefe do grupo de tartarugueiros (praticantes da caça a tartarugas, atividade vedada pela legislação ambiental) e mais quatro comparsas.
Os infratores praticavam o crime em duas canoas que eram impulsionadas por motores de rabeta adaptados, ou seja, as descargas eram submersas para diminuir o ruído do funcionamento. “Eles conhecem a região como ninguém, trafegam pelo rio à noite, sem acender sequer uma lanterna”, explicou o major Ribeiro. Essa tática dificulta a prisão em flagrante dos infratores.
Na operação de dezembro, no dia 19, os policiais da Cipa e agentes do Ibama apreenderam com os tartarugueiros pouco mais de 350 espécimes adultos, a maioria já “peiada” (os quelônios capturados têm o casco amarrado com cordas para evitar a fuga). “Todas as tartarugas apreendidas foram devolvidas à natureza”, disse Ribeiro.
Ele destacou que os infratores trabalham indiscriminadamente no baixo rio Branco e o fruto da caça já tem destino certo. No caso dessa última apreensão, a maioria dos quelônios iria abastecer a ceia de Natal e Ano Novo de famílias de Boa Vista, enquanto que a outra parte iria para Manaus.
MADEIREIROS
A Cipa atua em todos os setores carentes de preservação ambiental no estado. Uma das frentes de trabalho é a inibição de desmatamentos para a retirada de madeira. A atividade ilegal dos madeireiros está crescendo em Roraima, ainda que de forma latente, especialmente nos municípios da região Sul, cujo bioma predominante é a mata cerrada.
Ribeiro explicou que a repressão generalizada nos estados de Rondônia e do Pará está fazendo com que os madeireiros escolham Roraima para continuar trabalhando. Caminhões do tipo bi-trem foram vistos nestes últimos dias, principalmente à noite, entrando em Apiaú e Vila da Penha, nos municípios de Mucajaí e Alto Alegre, respectivamente.
A maior operação de repressão a madeireiros realizada pela Cipa, em parceria com o Ibama, aconteceu em maio de 2011. Foi feita nos municípios de Caracaraí e Rorainópolis. Na ocasião, foram apreendidos oito caminhões madeireiros.
Ribeiro disse que naquela operação não chegou a haver confronto com os infratores. “Ao perceberem a aproximação da equipe de policiais e agentes do Ibama, os madeireiros abandonaram os caminhões e se refugiaram na mata”, disse o comandante da Cipa.
OPERAÇÕES URBANAS
Além das 70 ações realizadas no interior do estado, inclusive na Reserva Nacional de Viruá e na Floresta Nacional de Roraima (Flona), a Cipa procedeu também ao longo de 2011 a uma extensa quantidade de operações urbanas. A maioria, visando a coibir a poluição auditiva (som alto).
A maioria das operações foi desencadeada a pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e teve como endereço bares e sedes de igrejas. O som automotivo fora dos padrões recomendáveis também tem sido um problema para a Cipa.
Ribeiro disse que toda pessoa que se sentir prejudicada por zoada acima dos decibéis recomendados e que esse som seja constante, deve denunciar à Central de Operações da Polícia Militar, pelo telefone190.
Som alto não é crime, mas sim, contravenção, tipificada como “Perturbação do sossego alheio”. Ao flagrar um carro executando música cujo som esteja fora dos padrões recomendados, a PM faz a detenção do infrator e o conduz a uma delegacia de polícia. Nesse caso, a vítima precisa acompanhar os policiais até a delegacia, para formalizar a queixa.